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Protocolos de Roteamento Dinâmico

O que é

Roteamento dinâmico é o processo pelo qual roteadores trocam informações de rotas entre si de forma automática, sem precisar que o administrador configure cada destino manualmente. Em vez de você escrever ip route 10.200.0.0 255.255.0.0 192.168.1.1 para cada rede da empresa, você ativa um protocolo de roteamento dinâmico e os próprios roteadores descobrem os caminhos disponíveis.

Existem dois grandes grupos de protocolos:

  • IGP (Interior Gateway Protocol): usado dentro de um único sistema autônomo — a rede de uma empresa, de uma universidade ou de um provedor regional. Exemplos: RIP, EIGRP, OSPF, IS-IS.
  • EGP (Exterior Gateway Protocol): usado entre sistemas autônomos distintos — a comunicação entre a rede da sua empresa e a rede do seu provedor de internet, por exemplo. O único EGP em uso hoje é o BGP (Border Gateway Protocol).

Dentro dos IGPs, os protocolos se dividem pelo algoritmo que utilizam:

AlgoritmoProtocolosComo enxerga a rede
Distance VectorRIP, EIGRPApenas o que o vizinho conta ("roteamento por boato")
Link StateOSPF, IS-ISMapa completo da topologia
Path VectorBGPSequência de sistemas autônomos no caminho

Como funciona

Distance Vector — roteamento por boato

Um roteador que usa Distance Vector compartilha sua tabela de rotas com os vizinhos diretamente conectados. Ele sabe o destino e a distância (métrica) até ele, mas não conhece a topologia completa da rede. É como perguntar para o seu colega de trabalho como chegar a um lugar: ele passa o que sabe, mas você não sabe o caminho completo.

RIP conta saltos (hops). Cada roteador no caminho vale 1. Não importa se o link é de 10 Mbps ou 10 Gbps — ambos custam 1 hop. Por isso o RIP pode escolher caminhos ruins quando as velocidades dos links são diferentes.

EIGRP usa uma fórmula que considera largura de banda e atraso (delay) dos enlaces. É mais inteligente que o RIP e converge mais rápido, mas é proprietário da Cisco.

Link State — mapa completo

Cada roteador anuncia suas interfaces e redes conectadas para todos os outros roteadores do domínio. No final, todos têm o mesmo mapa da rede e calculam os melhores caminhos de forma independente — como um GPS que tem o mapa completo da cidade.

OSPF calcula a métrica (chamada de cost) com base na largura de banda dos links. O custo de referência padrão é 100 Mbps. Um link de 1 Gbps tem custo 1; um link de 100 Mbps tem custo 1 também (por padrão — ajustável); um link de 10 Mbps tem custo 10. O OSPF converge mais rápido que o RIP e é o único protocolo IGP que cai no exame CCNA de forma aprofundada.

Convergência

Convergência é o tempo que a rede leva para que todos os roteadores tenham informações atualizadas após uma mudança — queda de um link, adição de uma rede nova. Protocolos Link State como o OSPF convergem mais rápido que Distance Vector como o RIP.

Na prática

Imagine a rede de uma distribuidora de bebidas com sede em São Paulo e filiais em Campinas, Ribeirão Preto e Santos. Cada filial tem seu próprio roteador. Com roteamento estático, o administrador precisa configurar rotas para cada destino em cada roteador — e atualizar tudo manualmente quando algo muda.

Com OSPF ativado, basta configurar o protocolo nos quatro roteadores. Eles trocam informações automaticamente. Se o link entre SP e Campinas cair, todos os roteadores aprendem que aquele caminho não existe mais e passam a usar a próxima melhor rota disponível — sem intervenção manual.

ECMP — balanceamento de carga com custo igual

Se dois caminhos para o mesmo destino têm a mesma métrica, o roteador instala ambas as rotas na tabela e distribui o tráfego entre elas. Isso se chama ECMP (Equal Cost Multi-Path). O RIP, por não considerar velocidade dos links, pode colocar um link lento e um link rápido no ECMP por engano. O OSPF só faz ECMP quando os custos são realmente iguais.

Floating Static Route

É uma rota estática configurada com um valor de AD maior que o do protocolo dinâmico em uso. Ela fica inativa enquanto o protocolo dinâmico anunciar a rota. Se o protocolo dinâmico perder a rota (queda de vizinho, falha de link), a floating static route entra em ação como backup.

ip route 10.200.0.0 255.255.0.0 192.168.99.1 150

Se o AD do OSPF for 110 e essa rota estática tiver AD 150, o OSPF vence enquanto estiver ativo.

Administrative Distance (AD)

Quando o roteador aprende a mesma rota por dois protocolos diferentes (OSPF e EIGRP, por exemplo), ele precisa decidir qual colocar na tabela. A métrica não serve aqui porque cada protocolo tem escala diferente. Para isso existe a Administrative Distance: quanto menor, mais confiável.

Fonte da rotaAD padrão (Cisco)
Diretamente conectada0
Rota estática1
eBGP20
EIGRP90
IGRP (legado)100
OSPF110
IS-IS115
RIP120
EIGRP externo170
iBGP200
Não confiável (inutilizável)255

Se o roteador aprende 10.0.0.0/24 via OSPF (AD 110) e via RIP (AD 120), ele instala apenas a rota OSPF na tabela. Se a rota OSPF sumir, a RIP entra automaticamente.

Por que cai no exame

O CCNA 200-301 dedica 25% da prova ao tema "IP Connectivity" (seção 3.x). Roteamento dinâmico é o coração dessa seção. As questões mais frequentes cobrem:

  • Qual rota entra na tabela quando há múltiplos protocolos? Resposta: a de menor AD.
  • Qual rota entra quando o mesmo protocolo aprendeu dois caminhos? Resposta: a de menor métrica.
  • E se AD e métrica forem iguais? Ambas entram — ECMP.
  • Qual o AD do OSPF? Do EIGRP? Do RIP? Precisa saber de cor: 110, 90, 120.
  • O que é floating static route? Rota estática com AD maior que o protocolo dinâmico, usada como backup.
  • Diferença entre Distance Vector e Link State? Distance Vector compartilha tabela de rotas com vizinhos; Link State compartilha o estado dos links com toda a área.
  • O que é ECMP? Balanceamento entre rotas de mesma métrica para o mesmo destino.

Uma questão clássica: "R1 aprende 192.168.1.0/24 via RIP (métrica 3) e via OSPF (métrica 10). Qual entra na tabela?" A resposta é OSPF — AD 110 < AD 120, a métrica nem é consultada.

Resumo em uma linha

Protocolos de roteamento dinâmico automatizam a troca de rotas entre roteadores; IGPs (RIP, EIGRP, OSPF) cuidam do tráfego interno, EGPs (BGP) cuidam do tráfego entre organizações, e a Administrative Distance decide qual protocolo vence quando há conflito.

Protocolos de Roteamento Dinâmico — Visão Geral Classificação, Algoritmo, Métrica e Administrative Distance (AD) — CCNA 200-301 PROTOCOLO TIPO ALGORITMO MÉTRICA AD PADRÃO CISCO? RIP v1 / v2 IGP Distance Vector Hop Count máx 15 saltos 120 Aberto EIGRP Enhanced IGRP IGP Distance Vector BW + Delay link mais lento + atraso total 90 Cisco (propri.) OSPF v2 (IPv4) / v3 IGP Link State Cost (BW) ref. 100 Mbps ÷ BW do link 110 Aberto IS-IS Intermediate Sys. IGP Link State Cost padrão 10 por link (manual) 115 Aberto BGP eBGP / iBGP EGP Path Vector Atributos AS-Path, MED, Local Pref… eBGP: 20 / 200 Aberto AD: menor = mais confiável 0 110 255 EIGRP AD 90 OSPF AD 110 RIP AD 120 ECMP: mesma métrica → ambas as rotas entram Floating Static: AD estática > AD do protocolo dinâmico Métrica compara rotas do mesmo protocolo; AD compara protocolos