M4 · Roteamento

Fundamentos de Roteamento — Tabela de Rotas no CCNA

O que é roteamento?

Roteamento é o processo pelo qual um roteador decide para onde encaminhar um pacote IP. Enquanto switches trabalham com endereços MAC e operam na camada 2, roteadores trabalham com endereços IP na camada 3 e conectam redes diferentes entre si.

Cada roteador mantém uma tabela de roteamento — uma lista de redes conhecidas e as instruções de como alcançá-las. Quando um pacote chega, o roteador consulta essa tabela e toma uma decisão: encaminhar o pacote por uma interface específica, entregá-lo localmente (se o destino é o próprio roteador) ou descartar o pacote (se não houver rota correspondente).

Existem três formas principais de um roteador aprender rotas:

  • Rotas connected e local — adicionadas automaticamente ao configurar um endereço IP em uma interface ativa.
  • Rotas estáticas — configuradas manualmente pelo administrador de rede.
  • Rotas dinâmicas — aprendidas automaticamente via protocolos como OSPF, EIGRP ou BGP.

Como funciona a tabela de roteamento?

Rotas Connected (C) e Local (L)

Ao atribuir um endereço IP a uma interface e ativá-la com no shutdown, o IOS adiciona automaticamente dois tipos de rota:

Rota Connected (C): aponta para a rede inteira à qual a interface pertence. Por exemplo, se a interface GigabitEthernet0/0 tem o IP 10.0.10.1/24, a rota connected será para 10.0.10.0/24. Ela diz ao roteador: "para qualquer host nessa rede, envie pela Gi0/0".

Rota Local (L): aponta para o endereço IP exato da própria interface, sempre com máscara /32. No exemplo acima, seria 10.0.10.1/32. Ela diz ao roteador: "se o pacote for endereçado a mim, receba-o — não encaminhe".

R1# show ip route

Gateway of last resort is not set

      10.0.0.0/8 is variably subnetted, 2 subnets, 2 masks
C        10.0.10.0/24 is directly connected, GigabitEthernet0/0
L        10.0.10.1/32 is directly connected, GigabitEthernet0/0
      192.168.1.0/24 is variably subnetted, 2 subnets, 2 masks
C        192.168.1.0/24 is directly connected, GigabitEthernet0/1
L        192.168.1.1/32 is directly connected, GigabitEthernet0/1

Cada interface ativa gera um par C + L na tabela.

Rotas Estáticas (S)

Configuradas manualmente com o comando ip route <rede> <máscara> <next-hop>. Úteis em topologias pequenas ou para rotas específicas que não devem ser anunciadas dinamicamente.

Rotas Dinâmicas (O, D, R, etc.)

Aprendidas via protocolos de roteamento. O OSPF, por exemplo, aparece com o código O. Esses protocolos permitem que roteadores troquem informações sobre redes automaticamente, sem intervenção manual.

Administrative Distance (AD)

Quando o roteador aprende a mesma rede por mais de uma fonte, usa a distância administrativa para decidir qual rota instalar na tabela. Valores menores = mais confiável:

Fonte da RotaAD
Diretamente conectada0
Estática1
OSPF110
RIP120

Longest Prefix Match

Quando há mais de uma rota que corresponde ao destino de um pacote, o roteador escolhe a mais específica — aquela com o prefixo mais longo (maior máscara).

Exemplo prático: suponha que um roteador de uma operadora em São Paulo tenha estas rotas:

C   177.75.100.0/24  → via Gi0/0
L   177.75.100.1/32  → diretamente conectada
S   0.0.0.0/0        → via ISP (rota padrão)

Se chega um pacote para 177.75.100.1:

  • A rota 177.75.100.0/24 corresponde (match)
  • A rota 177.75.100.1/32 também corresponde (match)
  • O roteador escolhe /32 → é a mais específica (longest prefix)
  • Resultado: roteador recebe o pacote para si mesmo

Se chega um pacote para 177.75.100.50:

  • A rota /24 corresponde → encaminha pela Gi0/0
  • A rota /32 não corresponde (só cobre .1)

Se chega um pacote para 200.100.50.10 (destino desconhecido):

  • Nenhuma rota específica → usa 0.0.0.0/0 (rota padrão, a menos específica possível)

Na prática

Verificando a tabela de roteamento

O comando mais importante para diagnosticar roteamento é:

R1# show ip route

Para verificar uma rota específica:

R1# show ip route 192.168.1.1

Para ver apenas rotas connected:

R1# show ip route connected

Configurando interfaces para gerar rotas C e L

R1(config)# interface gigabitethernet 0/0
R1(config-if)# ip address 10.0.10.1 255.255.255.0
R1(config-if)# no shutdown

Após isso, show ip route mostrará automaticamente as entradas C e L para essa interface.

Interpretando o output do show ip route

Linha de legenda no topo lista os códigos:

  • C — Connected
  • L — Local
  • S — Static
  • O — OSPF
  • D — EIGRP
  • R — RIP

A linha 10.0.0.0/8 is variably subnetted, 2 subnets, 2 masks não é uma rota — é apenas uma anotação indicando que existem sub-redes de tamanhos diferentes dentro daquela classe de endereço. Pode ser ignorada no contexto de decisão de encaminhamento.

O que o roteador faz quando não há rota?

Diferente de um switch (que inunda a rede quando não conhece o destino), o roteador descarta o pacote silenciosamente. Se não houver rota correspondente e não houver rota padrão (0.0.0.0/0), o pacote é perdido.

Por que cai no exame?

O tema de fundamentos de roteamento é recorrente no CCNA 200-301 por vários motivos:

  1. Questões de interpretação do show ip route — o exame apresenta uma tabela e pergunta o que o roteador fará com um pacote para determinado destino. É preciso identificar rapidamente qual rota corresponde e qual é a mais específica.
  2. Distinção entre C e L — candidatos frequentemente confundem os dois tipos. Lembre: C = rede inteira, L = IP exato da interface com /32.
  3. Longest prefix match — o conceito parece simples, mas questões de múltipla escolha exploram casos onde várias rotas correspondem ao destino, testando se o candidato sabe qual será selecionada.
  4. Administrative Distance — quando a mesma rede aparece por duas fontes diferentes (ex.: estática e OSPF), o exame pergunta qual será usada. Memorize os valores de AD.
  5. Comportamento de descarte — o exame testa se o candidato sabe que roteadores nunca inundam pacotes sem destino conhecido, ao contrário dos switches.

Dica de prova: em questões de longest prefix match, converta mentalmente os prefixos para quantidade de IPs cobertos. /32 cobre 1 IP, /24 cobre 256, /16 cobre 65.536, /0 cobre tudo. Sempre prefira a rota que cobre menos IPs (mais específica).

Resumo em uma linha

O roteador consulta sua tabela de rotas e encaminha cada pacote pela rota mais específica que corresponda ao destino — se nenhuma rota corresponder, o pacote é descartado.

Fundamentos de Roteamento — Longest Prefix Match R1 São Paulo Gi0/0 10.0.10.1/24 Gi0/1 → WAN R1# show ip route Códigos: C = connected L = local S = static O = OSPF COD REDE/PREFIXO VIA / INTERFACE AD/MÉTRICA C 10.0.10.0/24 directly connected, Gi0/0 0/0 L 10.0.10.1/32 directly connected, Gi0/0 0/0 S 192.168.5.0/24 via 10.0.10.254 1/0 O 172.16.0.0/16 via 10.0.10.254 110/2 S* 0.0.0.0/0 via 10.0.10.1 (ISP) 1/0 Longest Prefix Match — pacote destino: 10.0.10.1 Candidatas: 10.0.10.0/24 (256 hosts) 10.0.10.1/32 ✓ (1 host) Resultado: Rota /32 vence → R1 recebe o pacote para si mesmo Administrative Distance (AD): Connected=0 Static=1 OSPF=110 RIP=120 | AD menor = mais confiável Sem rota correspondente → pacote descartado (roteadores NÃO inundam — diferente de switches)