EtherChannel
O que é
EtherChannel é a tecnologia que agrupa múltiplas interfaces físicas de um switch em uma única interface lógica. Essa interface lógica, chamada de port-channel, aparece para o restante da rede — incluindo o Spanning Tree Protocol — como se fosse apenas um cabo. O resultado prático é simples: você ganha largura de banda somada e redundância ao mesmo tempo, sem o desperdício de links bloqueados.
O padrão IEEE chama isso de LAG (Link Aggregation Group). A Cisco usa os termos EtherChannel e port-channel de forma intercambiável na interface de linha de comando.
Como funciona
O problema que o EtherChannel resolve
Imagine um switch de acesso conectado a um switch de distribuição em uma empresa de médio porte — situação comum em redes de hospitais, escritórios ou operadoras regionais. Com dezenas de hosts gerando tráfego simultâneo, um único link de 1 Gbps pode saturar. A solução óbvia é adicionar mais cabos — mas o STP bloqueia todos menos um, desperdiçando a infraestrutura física.
O EtherChannel contorna isso: o STP enxerga o grupo de quatro links físicos como uma única interface lógica, sem risco de loop. Todos os cabos ficam ativos, transferindo tráfego.
Protocolos de negociação
| Protocolo | Padrão | Modos disponíveis | Observação |
|---|---|---|---|
| LACP (802.3ad) | IEEE — universal | active / passive | Preferido; funciona com qualquer fabricante |
| PAgP | Cisco proprietário | desirable / auto | Somente entre equipamentos Cisco |
| Estático | Nenhum | on | Sem negociação; evitar em produção |
Combinações válidas:
active+active→ EtherChannel LACP formadoactive+passive→ EtherChannel LACP formadopassive+passive→ não forma (nenhum lado inicia)desirable+desirable→ EtherChannel PAgP formadodesirable+auto→ EtherChannel PAgP formadoauto+auto→ não formaon+on→ EtherChannel estático formadoon+activeouon+desirable→ não forma (protocolos incompatíveis)
Load balancing por fluxo
O tráfego é distribuído entre os links físicos com base em fluxos, não em pacotes individuais. Um fluxo é a comunicação entre dois pontos — por exemplo, uma sessão SSH entre um servidor em São Paulo e um roteador em Recife. Todos os pacotes desse fluxo usam sempre o mesmo link físico, evitando reordenamento de pacotes.
O algoritmo escolhe o link com base em um hash calculado sobre:
- Endereço MAC de origem, destino ou ambos
- Endereço IP de origem, destino ou ambos
- Portas TCP/UDP (em alguns modelos)
O padrão varia por modelo de switch. Para verificar e alterar:
show etherchannel load-balance
port-channel load-balance src-dst-ip Pré-requisitos para os membros do grupo
Todas as interfaces físicas que farão parte do mesmo EtherChannel precisam ter configurações idênticas:
- Mesma velocidade e duplex
- Mesmo modo de switchport (access ou trunk)
- Mesmas VLANs permitidas e VLAN nativa (em modo trunk)
Se uma interface divergir, ela fica suspensa (flag s minúsculo no show etherchannel summary) e o canal opera sem ela.
Na prática
Configurar EtherChannel com LACP (camada 2)
! Em ambos os switches — use interface range para garantir config idêntica
SW1(config)# interface range gigabitethernet 0/0 - 3
SW1(config-if-range)# channel-group 1 mode active
SW1(config-if-range)# exit
! Configurar o port-channel como trunk
SW1(config)# interface port-channel 1
SW1(config-if)# switchport mode trunk
SW1(config-if)# switchport trunk allowed vlan 10,20,30 No SW2, use mode active ou mode passive — pelo menos um lado deve ser active.
Configurar EtherChannel camada 3
SW1(config)# interface range gigabitethernet 0/0 - 3
SW1(config-if-range)# no switchport
SW1(config-if-range)# channel-group 1 mode active
SW1(config-if-range)# exit
SW1(config)# interface port-channel 1
SW1(config-if)# ip address 10.0.0.1 255.255.255.252 No EtherChannel L3, o endereço IP vai na interface port-channel, nunca nas interfaces físicas.
Verificar o status
SW1# show etherchannel summary Interpretando as flags:
| Flag | Significado |
|---|---|
S (maiúsculo) | Layer 2 (Switchport) |
R | Layer 3 (Routed port) |
U | In use — canal ativo |
P | Porta bundled no port-channel |
D | Down |
s (minúsculo) | Suspended — config não bate |
Saída ideal para um EtherChannel L2 ativo:
Po1 SU LACP Gi0/0(P) Gi0/1(P) Gi0/2(P) Gi0/3(P) Por que cai no exame
O CCNA cobra EtherChannel com atenção especial a três armadilhas:
- Combinações de modos: a prova apresenta pares de modos (
passive/passive,on/activeetc.) e pergunta qual forma canal. O mapa mental é: pelo menos um lado ativo em LACP, pelo menos umdesirableem PAgP, eonsó comon.
- Leitura do
show etherchannel summary: questões pedem para identificar se o canal está ativo (SU), se uma porta está suspensa (s) ou se o canal caiu (D). Saiba o que cada flag significa.
- Pré-requisitos de membros: a prova descreve um cenário em que o EtherChannel não forma e pede a causa. Diferença de velocidade, duplex ou VLAN nativa são os suspeitos mais comuns.
- Onde fica o IP no L3 EtherChannel: sempre no
port-channel, nunca nas interfaces físicas.
channel-groupvsport-channel: o comando de configuração usachannel-group; a interface virtual criada chama-seport-channel. A prova explora essa inconsistência de nomenclatura da Cisco.
Resumo em uma linha
EtherChannel agrupa links físicos em uma interface lógica, entregando largura de banda somada e redundância sem que o STP bloqueie nenhum dos membros — configurado com LACP (active/passive) e verificado com show etherchannel summary.